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29 novembro 2007

Solução tecnológica

Professores da rede estadual receberão 31 mil computadores portáteis para incrementar acesso a informações e aproximá-los de alunos. Equipamentos vão custar R$ 60 milhões

Para que os professores acompanhem o ritmo tecnológico dos alunos, a Secretaria Estadual de Educação distribuirá 31 mil notebooks (computadores portáteis) para os mestres a partir do ano que vem. O gasto para “informatizar” mais da metade dos docentes será de R$ 60 milhões. A licitação está prevista para o fim do ano.

“A preocupação é dar aos professores o suporte da Internet para que fiquem antenados em relação aos alunos, que já têm a apreensão do conhecimento na velocidade de novas tecnologias”, disse o subsecretário de Educação, Godofredo de Oliveira. A distribuição das máquinas e capacitação dos profissionais estão em estudo.

Apesar de aprovarem a iniciativa, os professores se preocupam com o treinamento para manejar o equipamento. “Não adianta comprar material se as pessoas não sabem usá-lo”, disse a professora Eliana Cunha, membro da Comissão de Implantação de Tecnologia, projeto da secretaria.

O professor Carlos José das Chagas, que ensina História no Ciep 453, em Itaboraí, tem computador em casa, mas precisa dividi-lo com a família. “Moro com esposa e dois filhos. É difícil usá-lo para preparar as aulas quando eles precisam fazer trabalhos”, conta.

Professora de Educação Física do Colégio Estadual Aurelino Leal, em Niterói, Maria José de Mello prevê a possibilidade de dar aulas mais atualizadas usando a nova ferramenta: “As regras dos esportes mudam sempre e a Internet dinamiza. Gostaria de inovar minhas aulas, que às vezes ficam chatas”.

LABORATÓRIOS FECHADOS

A aquisição dos notebooks trouxe à tona o abandono de outro projeto do estado: muitos dos 1.120 laboratórios de informática da rede estadual estão abandonados, diz o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação. A orientadora pedagógica Carmem Lúcia de Souza conta que o laboratório do Colégio Estadual Nilo Peçanha, em Niterói, onde trabalha, não funciona por falta de pessoal treinado: “Os alunos usam para pesquisa quando há algum professor que entenda. Desde que terminou a função de orientador tecnológico, os laboratórios ficam fechados”.

“Nenhuma escola tem o direito de manter o laboratório fechado”, respondeu o subsecretário Godofredo de Oliveira, acrescentando que a extinção dos orientadores faz parte da reformulação pedagógica. A idéia é que todos os professores de disciplina sejam capazes de usar o computador em suas aulas, sem necessidade de haver um “especialista”.

DESEMPENHO MELHOR

Série de reportagens publicada semana passada por O DIA mostrou o uso de tecnologia como ferramenta educacional. Novos recursos aproximam alunos da sala de aula e já melhoram o desempenho escolar, atestam estudantes, pais e mestres.

Vídeos, documentários, programas de rádio, TV e blogs são a aposta de pelo menos 15 escolas do estado, que recorrem à mídia para motivar alunos.

Realidade na cidade — principalmente nas favelas do Rio —, as LAN houses também passam para o lado dos educadores. Um grupo de donos de LANs lembra que 50% do acesso à Internet nas classes D e E são feitos desses locais. A corrente do “bem” se propõe a ser local de pesquisa escolar.

Outra mania entre estudantes, o site de relacionamentos Orkut reúne professores que também “caíram na rede”. Professores já usam o site como instrumento didático e de aproximação com seus alunos.

Plano de cargos é aprovado

A Câmara de Vereadores aprovou ontem, por unanimidade, projeto de lei que cria o plano de cargos e salários dos profissionais da rede municipal de Educação. A matéria passou pelo plenário com as emendas propostas pelos vereadores a pedido da categoria, que mudam percentuais das gratificações por titulação e tempo de serviço. O projeto depende de sanção do prefeito Cesar Maia. Os professores tentam hoje aprovar decreto que derruba a aprovação automática na rede.

No texto original do projeto do plano de cargos e salários, enviado pelo Executivo à Câmara em janeiro deste ano, a gratificação por tempo de serviço era de 4% a cada cinco anos, mas ontem foi aprovada emenda que aumenta o índice para 12%. Essa bonificação por tempo de serviço foi criada em 2005.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação considerou a aprovação uma vitória, mas lembrou que ainda é preciso garantir recursos no orçamento de 2008. “Agora começa nova batalha’, afirmou Wíria Alcântara, diretora do Sepe. A rede possui 50 mil servidores, entre professores e pessoal administrativo. Procurada, a Secretaria de Educação não se pronunciou.

Vereadores derrubaram ontem em primeira votação a Resolução 959, que reforça a aprovação automática na rede, através do conceito RR (Registra Recomendações). O Projeto de Decreto Legislativo 231, de Jairinho (PSC) e Eliomar Coelho (PSOL) precisava passar em segunda votação para virar lei, mas os governistas deixaram o plenário. A oposição tenta hoje sessão extraordinária. Ontem, professores do Município fizeram paralisação de 24 horas contra o sistema.

Fonte: O Dia